ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA – ETA'S

COAGULAÇÃO/FLOCULAÇÃO - FUNDAMENTOS

As impurezas contidas na água podem se encontrar em suspensão ou dissolvidas. As suspensões podem ser: grosseiras, capazes de flutuar ou decantar facilmente quando a água estiver em repouso, do tipo folhas, sílica e restos vegetais; finais, como as bactérias e planktons, ferro e manganês oxidados, e as impurezas tipo coloidais, emulsões, etc. Como impurezas dissolvidas, se consideram os sais de cálcio e magnésio(dureza), presença de ferro, manganês não oxidados e outras.


Tratamento Preliminar da Estação de Tratamento de Água - ETA:

ETA's

Numa ETA, a flutuabilidade e a filtração são usadas como fase inicial no tratamento da água contendo grandes quantidades de resíduos sólidos. O tratamento preliminar visa retirar, entre outros, óleos e graxas, os detritos e sólidos leves. >Entre os equipamentos passíveis de uso nesta etapa temos as caixas de areia, as peneiras estáticas, sacos filtrantes, etc...

Para remoção dos sedimentos finos e coloidais além das impurezas dissolvidas, se laça mão de processos químicos como a floculação e coagulação seguidos de decantação ou filtração. Este fenômeno de aglomeração ocorre por desestabilização química que onde se neutralizam as forcas elétricas superficiais e se anulam as forcas repulsivas tendendo a aglomerar as partículas descarregadas até a formação de flocos que sedimentam. As ETA´s são formadas de uma câmara de mistura onde é adicionado o coagulante. Ao sair da câmara de mistura, a água segue para a câmara de floculação e depois segue para os decantadores ou sistema de filtração gerando o lodo químico.


Os produtos básicos usados na ETA – Estação de Tratamento de Água:

Coagulantes - compostos de ferro ou alumínio, capazes de produzir hidróxidos gelatinosos insolúveis e englobar as impurezas floculando-as. O Sulfato de Alumínio é o mais utilizado entre os coagulantes. Na água reage com a alcalinidade natural formando o Al(OH)3 que irá formar os flocos e o CO2 é o responsável pelo aumento da acidez da água. Quando a alcalinidade natural é reduzida, geralmente adiciona-se cal (Ca(OH)2) ou carbonato de sódio (Na2CO3). O cloreto férrico (FeCl3 . 6H2O) é usado, na coagulação de esgotos sanitários e industriais, e encontra aplicações limitados no tratamento de água.

Alcalinizantes - capazes de conferir a alcalinidade necessária à coagulação. Dentre os alcalinizantes, o mais utilizado é a Cal (virgem, hidratada ou dolomítica, são outras denominações do óxido de cálcio). Podem também ser utilizado o hidróxido de cálcio em misturas com o óxido de magnésio (MgO) e o hidróxido de magnésio [Mg(OH)2] e o Carbonato de Sódio ou barrilha (Na2CO3). Dificuldades com a coagulação ocorrem devido aos precipitados de baixa decantação, ou flocos frágeis facilmente fragmentados sob forças hidráulicas, nos decantadores e filtros de areia.

Coadjuvantes - Os auxiliares de coagulação beneficiam a floculação, aumentando a decantação e o enrijecimento dos flocos. Os materiais mais utilizados são os polieletrólitos, a sílica ativada, agentes adsorventes de peso e oxidantes.

Polieletrólitos são substâncias químicas orgânicas de cadeia longa e alto peso molecular, classificados de acordo com a carga elétrica na cadeira do polímero, os carregados positivamente são chamados de catiônicos e os que não possuem carga elétrica são os não-iônicos. Os aniônicos e os não-iônicos são geralmente utilizados com coagulantes metálicos para promoverem a ligação entre os colóides, a fim de desenvolver flocos maiores e mais resistentes. A dosagem requerida de um auxiliar de coagulação é da ordem de 0,1 a 1,0 mg/L. Na coagulação de algumas águas, os polímeros podem promover floculação satisfatória, com significativa redução das dosagens de sulfato de alumínio. As vantagens potenciais são a reduções da quantidade de lodo e a maior amenidade à desidratação. Polímeros Catiônicos tem sido usados com sucesso, em alguns casos, como coagulantes primários. Ao contrario do lodo gelatinoso e volumoso oriundo do sulfato de alumínio, o lodo formado pelo uso de polímeros é mais denso e fácil de ser desidratado.

A Sílica Ativada como auxiliar de coagulação apresenta as seguintes vantagens: aumenta a taxa de reação química, reduz a dosagem de coagulante, aumenta a faixa de pH ótimo e produz um floco com melhores propriedades de decantação e resistência. Em relação aos polieletrólitos a sílica tem necessidade de um controle preciso de preparo e dosagem. Dosagem de 7 a 11% da dosagem do coagulante primário expresso em mg/L de SiO2. Quando utilizada junto com o sulfato de alumínio ou sulfato ferroso, a sílica, por sua elevada carga negativa, promove a formação de flocos maiores, mais densos e resistentes, o que aumenta a eficiência de coagulação.

As Argilas Bentoníticas são usadas no tratamento de águas contendo alto teor de cor, baixa turbidez e baixo conteúdo mineral. Nestas condições, os flocos de Ferro ou Alumínio são demasiadamente leves para decantar rapidamente. A adição da argila resulta num aumento de peso do floco melhorando a decantabilidade. A dosagem é da ordem de 10 a 15 mg/L.

O Carvão Ativado se aplica na forma de pó, tem grande poder de adsorção. É bastante empregada no tratamento da água com gosto e odor provocador por material orgânico.

Tratamentos: Mistura + Floculação + Decantação
ETA's

Alguns Processos Físico-Químicos de Tratamento de Água

Remoção de Sulfato:

O sulfato é o ânion SO4-2, um dos mais abundantes íons na natureza. Surge nas águas subterrâneas através da dissolução de solos e rochas, como o gesso (CaSO4) e o sulfato de magnésio (MgSO4) e pela oxidação de sulfeto (exemplo: pirita, sulfeto de ferro). O enxofre pode ser encontrado na natureza em quatro estados de oxidação que se transformam entre si (sulfeto, enxofre elementar, sulfito, sulfato):

Nas águas superficiais, ocorre através das descargas de esgotos domésticos (por exemplo, através da degradação de proteínas) e efluentes industriais (exemplos: efluentes de indústrias de celulose e papel, química, farmacêutica, etc.). Em águas tratadas o sulfato é proveniente do emprego de coagulantes como o sulfato de alumínio, sulfato ferroso, sulfato férrico e caparrosa clorada. Nas águas para abastecimento público, o sulfato deve ser controlado porque provoca efeitos laxativos, sendo o padrão de potabilidade fixado em 250 mg/L pela Portaria 518 do Ministério da Saúde.

Eliminação: Por tratar-se de íon solúvel em água, o sulfato só pode ser removido por processos especiais, como por exemplo a troca-iônica (resinas aniônicas) e a osmose reversa. Estes processos normalmente inviabilizam economicamente o uso da água para o abastecimento público. Para o tratamento de efluentes, pode-se também utilizar a própria precipitação com sal de bário, o que não é recomendado, pois a eficiência pode não atingir valores suficientemente elevados (o processo baseiase no equilíbrio químico), e principalmente por gerar lodo contaminado com bário. É um caso de difícil solução, devendo-se em primeiro lugar procurar reduzir na fonte os efluentes com concentrações excessivas de sulfato. Para pequenas vazões, pode ser viável a técnica de cristalização de sulfato, à base de processo de destilação.

Remoção de Sulfetos:

A principal fonte de sulfeto em águas naturais é o lançamento de esgotos sanitários e de efluentes industriais que contenham sulfato, em condições anaeróbias. Em menor proporção, o íon sulfeto pode também ser gerado da decomposição biológica de matéria orgânica contendo enxofre, notadamente as proteínas albuminóides.

O sulfeto provoca problemas de toxicidade aguda em operadores de rede coletora de esgotos, vários acidentes fatais foram registrados. A maioria dos autores considera que a concentração de 300 ppm de sulfeto no ar pode ser letal e que concentrações inferiores provocam irritação nos olhos e no aparelho respiratório, dores de cabeça e cegueira temporária.

Nas águas naturais, o gás sulfídrico provoca a morte de peixes em concentrações na faixa de 1 a 6 mg/L, além do efeito indireto do consumo de oxigênio ao se oxidar. Este fenômeno é conhecido por demanda imediata de oxigênio. Os sulfetos são comumente encontrados também em despejos provenientes de curtumes, devido a utilização de sulfeto do sódio e cal para desprender pelos e outras partículas fibrosas da pele.

Os sulfetos são tóxicos, corrosivos e causam sérios problemas de odores, sendo que sua toxicidade aumenta, diminuindo o pH. Nas estações de tratamento de efluentes, impedem a floculação e devem ser removidos antes do sistema biológico. Despejos com altas concentrações de sulfetos, lançados nos corpos d'água, provocam diminuição do oxigênio dissolvido devido sua ação redutora.

O tratamento de despejos contendo sulfetos pode ser realizado por precipitação ou por oxidação. A segunda alternativa é a mais utilizada. A oxidação a tiossulfato é realizada através da introdução de ar nos banhos em separados, onde é utilizado sal de manganês como catalisador. A quantidade é de 0,15 kg de Mn2+/kg de S2-. O tempo de detenção fica em torno de 8 a 10 horas. Sem a utilização de catalisador o tempo pode ser de 20 a 24 horas. A oxidação também pode ser realizada com oxidantes como cloro, ozônio, água oxigenada, permanganato de potássio e outros com custos mais elevados.

Nas tubulações de esgotos sanitários, a medida corretiva mais utilizada é a adição do nitrato de sódio. O nitrato funciona como aceptor de elétrons nas reações de oxidação biológica, em detrimento do sulfato, pois a reação é favorecida termodinamicamente. Consequentemente o sulfato não é reduzido a sulfeto e os problemas de corrosão ou de proliferação de odor não ocorrem.

Outra ação corretiva a ser considerada é a introdução de oxigênio, seja através da injeção de oxigênio comercial em linhas de recalque ou tubulações de escoamento livre, ou através de compressores de ar em linhas de recalque. Introduzindo-se oxigênio nas tubulações, garante-se a ausência de sulfetos

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A adição de produtos químicos é outra medida corretiva que pode ser considerada. Pode-se recorrer tanto à oxidação do sulfeto com cloro ou peróxido de hidrogênio, ou convertê-lo em uma forma não volátil através de precipitação química com sais metálicos ou através da elevação de pH. São necessárias 4 partes de peróxido para oxidar uma parte de sulfeto.

Remoção de Cianetos:

O cianeto é o ânion (CN-) que aparece nas águas naturais devido a descargas de efluentes industriais, principalmente os provenientes de seções de galvanoplastias. Também as fecularias de mandioca apresentam efluentes contaminados com cianeto. As galvanoplastias são atividades industriais em que se faz o recobrimento de uma peça metálica por outro metal, para conferir-lhe proteção contra a corrosão ou embelezamento, ou então para aumentar a resistência mecânica. O recobrimento é feito geralmente por eletrodeposição, por incursão de corrente elétrica em um banho. O cianeto é um dos eletrólitos comumente presentes nos banhos alcalinos. Embora muitos esforços tenham sido feitos no campo da Engenharia Química para a substituição deste componente tóxico, esta é ainda a situação encontrada no Brasil.

O cianeto é um ânion tóxico, prejudicando o abastecimento público de água, bem como os ecossistemas naturais e os dos reatores para o tratamento biológico de esgotos. A dosagem máxima diária suportada pelo homem é de 0,05 mg/kg e o padrão de potabilidade fixado pela Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde é de 0,07 mg/L. Os peixes são sensíveis à presença de cianeto, sendo que poucas miligramas por litro são suficientes para causar a morte de certas espécies em menos de uma hora. A Resolução n° 357 do CONAMA impõe limites para a concentração de cianeto para as diversas classes de águas nacionais interiores e costeiras. Podem também ocorrer problemas de inibição nas estações de tratamento de esgotos municipais. No Estado de São Paulo, o Decreto n° 8468 estabelece o limite máximo de 2,0 mg/L para a concentração de cianeto em efluentes industriais ligados à rede pública provida de sistema de tratamento. Para a descarga de efluentes diretamente no corpo receptor, tanto a legislação federal (Resolução n° 357 do CONAMA), quanto a do estado de São Paulo, impõem 0,2 mg/L como padrão de emissão.

No caso das águas naturais, a concentração do íon cianeto é reduzida pelo ácido carbônico e outros ácidos transformando a forma iônica em ácido cianídrico, que é volátil. No entanto, o principal mecanismo de diminuição dos níveis de cianeto em águas é a oxidação, incluindo a oxidação bioquímica, seguida pela hidrólise:

A forte radiação solar e estações úmidas favorecem a oxidação bioquímica causando a redução da concentração dessa espécie em águas. O cianeto, essencialmente em sua forma iônica, é facilmente adsorvido pelo material particulado suspenso e sedimento de fundo.

O cianeto é removido das águas por oxidação ou troca iônica. Os processos oxidativos são mais empregados por razões de simplicidade e economia, embora a troca iônica seja ambientalmente mais recomendável. É curioso notar que, quando o cianeto se encontra em concentrações baixas, relativamente à concentração de matéria orgânica biodegradável, como é o caso dos efluentes de fecularias de mandioca, até mesmo a oxidação biológica é possível, tendo sido demonstrada a sua biodegradabilidade em processos de lodos ativados. Os efluentes predominantemente inorgânicos e com concentrações de cianeto relativamente altas são tratados por oxidação química em meio alcalino, empregando-se cloro ou peróxido de hidrogênio e soda cáustica. Mais recentemente, tem-se investigado o uso da ozonização. O uso do cloro é ainda mais comum devido ao custo mais baixo. Devido ao fato de as vazões de efluentes galvânicos serem geralmente pequenas, o uso de compostos clorados é preferível em relação ao clorogás, por razão de maior simplicidade das instalações. Geralmente emprega-se solução de hipoclorito de sódio que oxida o cianeto, conforme a seqüência de reações:

A segunda reação é a mais restritiva em termos de pH, exigindo um valor em torno de 11,5. Até a segunda reação, obtém-se a transformação do cianeto a cianato, que é mil vezes menos tóxico. Mas para a destruição total do cianeto em gás carbônico e nitrogênio é necessária a ocorrência da terceira reação, consumindo-se cerca de o dobro da dosagem de cloro necessária para as duas primeiras reações. Como há dificuldade em se prever estequiometricamente as dosagens necessárias, o tratamento é feito empiricamente, monitorando-se o residual de cianeto ou potencial de óxido-redução em função das dosagens aplicadas.

Os cianetos alcalinos são oxidados por cloração com cloro livre ou solução de hipoclorito de sódio, transformando-os em cianato e, posteriormente, em nitrogênio e gás carbônico. O cianeto é pelo menos mil vezes mais tóxico que o cianato. O tanque deve ficar em agitação e o tempo de reação é em torno de 60 minutos. O pH deve ser mantido acima de 10, com adição de cal, hidróxido de sódio ou soda.

Os cianetos são comumente encontrados em efluentes de galvanoplastia, podendo ser encontrado em processos de refinação de ouro, plásticos e jóias. A toxicidade do cianeto aumenta com elevação da temperatura e abaixamento de pH. Num pH abaixo de 8, o ácido cianídrico se ioniza pouco, ou seja, a concentração de HCN é maior que de CN-.

Deve-se usar a seguinte relação em efluentes contendo cianeto: oxidação a cianato – 3,2 kg de Cl2 e 3,8 kg de NaOH/kg de CN-; oxidação a CO2 e N2 – 8 kg de Cl2 e 7,3 kg de NaOH/kg de CN-.

Remoção de Metais Pesados:

A remoção de metais pesados como cobre, níquel, chumbo, cromo trivalente, ferro, zinco e outros encontrados em efluentes industriais devem ser removidos antes do tratamento biológico, objetivando evitar a inibição dos microrganismos responsáveis pela oxidação da matéria orgânica biodegradável ou, antes do lançamento nos corpos d'água. Estes metais precipitam sob a forma de hidróxidos ou carbonatos, sendo removidos juntamente com o lodo dos decantadores. No caso de galvanoplastias, após a reunião dos despejos dos tanques de oxidação de cianetos e redução de cromo VI e dos demais despejos isentos de cromo e cianetos, para neutralização.

Normalmente aplica-se um coagulante para remover sólidos coloidais e em suspensão em um decantador, sendo o lodo removido e desidratado em filtro prensa ou bolsa de filtração e a torta destinada para aterro de resíduo classe I ou coprocessamento em fornos de cimento ou encapsulamento em matriz de cimento.

Cádmio e chumbo: podem ser removidos com sulfeto de sódio. Zinco é pouco tóxico pode ser removido com boa eficiência com cal, numa faixa de pH entre 8 e 9 e o níquel na faixa de 8 a 10.

Mercúrio: pode ser removido com boa eficiência por precipitação com FeS, Na2S ou NaHS, formando compostos insolúveis que deverão ser dispostos em aterro classe I. O processo consiste em elevar o pH até em torno de 8, adicionar o sulfeto e em seguida aplicar o coagulante, posteriormente decantar e filtrar. O mercúrio também pode ser removido por troca iônica e redução com água oxigenada.

Cromo: o curtimento das peles de animais é feito através da reação de sulfato de cromo que transforma o calogênio, proteína animal, em couro leve, resistentes ao calor e ao desgaste. A quantidade de cromo aplicada no processo é em média 2,25% de Cr2O3 relativo ao peso das peles. Sua recuperação é feita sob a forma de hidróxido, por sedimentação e filtração.

Após ser redissolvido, é reciclado no processo e 10 a 40% do cromo remanescente é eliminado nas águas de lavagem subsequentes e no líquido residual, que são acumulados em tanques de precipitação. O precipitado contendo cromo é utilizado no curtimento da raspa crua e o sobrenadante é direcionado para o tanque de equalização, para tratamento geral dos efluentes.

O processo de recuperação de cromo, além de reduzir as altas cargas poluidoras nos efluentes, é também uma solução econômica. O cromo encontrado nos efluentes de curtumes encontra-se na forma trivalente. A recuperação do cromo que retorna ao processo industrial, e que, obviamente, seria lançado no corpo receptor pode chegar até 99,5%. O cromo trivalente pode ser precipitado como hidróxido com cal ou hidróxido de sódio em um pH em torno de 8 e 9.

Redução de cromo hexavalente: o Cr VI é comumente encontrado em efluentes de galvanoplastia, indústria de explosivos e de corantes. Os efluentes ácidos, contendo cromo hexavalente, são reduzidos a cromo trivalente com hipossulfito de sódio em pH situado entre 2,5 e 3 com uso de ácido sulfúrico.

Além do bissulfito que é o mais usado, podem ser usados metasulfito de sódio, sulfato ferroso e dióxidode enxofre. A relação entre a quantidade de bissulfito e cromo é de 5,36 kg de bissulfito para cada kg de cromo VI. O tempo de reação é em torno de 10 minutos. Em pH abaixo de 2,5 a reação é bem mais rápida, tornando praticamente instantânea em pH 2,0. O cromo trivalente pode ser precipitado como hidróxido com cal ou hidróxido de sódio em pH de 8 - 9.

Remoção de Fenóis:

Os fenóis podem ser removidos por tratamento biológico (lodos ativados, por exemplo) em que é necessária a adaptação das bactérias, sendo possível remover 70 a 90%. Podem ser removidos também por ozônio, cloro ou ar. Existem outros processos físicos como a adsorção em carvão ativado em pH em torno de 4.

Remoção de Fósforo:

Para remoção de fosforo, outra importante fonte de poluição de águas residuais pois permite o desenvolvimento de algas, é utilizado sulfato de alumínio ou cloreto férrico ou cal, mas o que dá melhores resultados é a combinação cloreto férrico-cal ou somente sulfato de alumínio, obtendo-se eficiência de 95%. Se for usado somente o cloreto férrico a eficiência é de 90%. O fosfato é eliminado na forma de precipitado de fosfato de alumínio ou férrico. A presença de fosfato e nitratos em efluentes promove a eutrofização dos cursos d'água. Em processos biológicos, a remoção de fósforo deve considerar as necessidades de nutrientes para manutenção dos microrganismos do sistema.

Remoção de Surfactantes:

Outra fonte importante de poluição disseminada nos esgotos e águas residuais são os surfactantes. Uma grande variedade destes produtos é utilizada na indústria têxtil, fibras, alimentos, tintas, polímeros, cosméticos, farmacêutica, microeletrônica, mineração de recuperação de petróleo, polpa de papel e celulose, etc.. São prejudiciais à saúde humana, peixes e vegetação e são responsáveis pela espuma em rios e estações de tratamento de efluentes reduzindo a qualidade da água.

Os detergentes sintéticos dificultam os sistemas de tratamento por não serem biodegradados em condições anaeróbias; dificultam também a transferência de oxigênio, modificam as características desedimentação dos sólidos em suspensão, além de, na baixa eficiência de sua remoção, provocarem a formação de espuma em corpos d'água que mais do que o efeito estético, pode ocasionar problemas à saúde. Devido todas estas razões as autoridades sanitárias reguladoras fixaram limites rigorosos para o detergente aniônico como padrão de 0,5 mg/L para água potável e até 1,0 mg/L para outros fins.

Os detergentes são definidos como compostos que reagem com o azul de metileno e são designados "substâncias ativas ao azul de metileno" (MBAS – Metilene Blue Active Substances). Suas concentrações são relativas ao sulfonato de alquil benzeno de cadeia linear (LAS) que é utilizado como padrão na análise. Os esgotos sanitários possuem de 3 a 6 mg/L de detergentes, mas as indústrias de detergentes descarregam efluentes líquidos com cerca de 2000 mg/L do princípio ativo.

A remoção de surfactantes e detergentes via processos químicos é feita com a coagulação-floculação tem se destacado pois além de ter eficiência de remoção dos surfactantes, remove Demanda Química de Oxigênio (DQO), Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) e turbidez. O tratamento com Cloreto Férrico (FeCl3) é eficaz numa gama de pH entre 7 e 9. Outras indústrias, incluindo as que processam peças metálicas, empregam detergentes especiais com a função de desengraxante.

Os sulfonatos de alquil benzeno de cadeia linear (LAS) têm substituído progressivamente os sulfonatos de aquil benzeno de cadeia ramificada (ABS), por serem considerados biodegradáveis. No Brasil esta substituição ocorreu a partir do início da década de 80 e embora tenham sido desenvolvidos testes padrão de biodegradabilidade, este efeito não é ainda conhecido de forma segura. Os testes de toxicidade com organismos aquáticos têm sido aprimorados e há certa tendência a serem mais utilizados nos programas de controle de poluição. Os detergentes têm sido responsabilizados também pela aceleração da eutrofização. Além da maioria dos detergentes comerciais empregados possuirem fósforo em suas formulações, sabe-se que exercem efeito tóxico sobre o zooplâncton, predador natural das algas.

Remoção de Cloreto:

O cloreto é o ânion Cl- que se apresenta nas águas subterrâneas através de solos e rochas. Nas águas superficiais são fontes importantes as descargas de esgotos sanitários, sendo que cada pessoa expele através da urina cerca de 6 g de cloreto por dia, o que faz com que os esgotos apresentem concentrações de cloreto que ultrapassam a 15 mg/L. Diversos são os efluentes industriais que apresentam concentrações de cloretos elevadas, como os da indústria do petróleo, algumas indústrias farmacêuticas, curtumes, etc. Nas regiões costeiras, através da chamada intrusão da língua salina, são encontradas águas com níveis altos de cloreto. Nas águas tratadas, a adição de cloro puro ou em solução leva a uma elevação do nível de cloreto, resultante das reações de dissociação do cloro na água.

Por se tratar de mais um caso de íons em solução verdadeira da água, os cloretos são muito estáveis, não sendo removidos em estações convencionais de tratamento de águas. Exigem processos especiais como os de membrana (osmose reversa), destilação (como, por exemplo, a destilação solar) e processos à base de troca-iônica. Infelizmente estes processos são complexos e caros, sendo em geral inviáveis para o emprego no abastecimento público de água no Brasil. Recentemente, os custos do processo têm-se reduzido; unidades mais compactas têm sido desenvolvidas e utilizadas em pequenos sistemas de abastecimento com água salobra. Estas instalações são frequentes no tratamento de águas que abastecem algumas modalidades de indústrias bastante exigentes em termos de qualidade da água.

ETA´S E PRODUÇÃO DE ÁGUA - MODELOS

Características:

Modelo
ETA
Vazão
(m3/hora)
TANQUE Área Ocupada
(M2)
Altura
(m)
Diâmetro
(m)
Volume
(m3)
ETA04 0,4 5,0 0,5 0,8 25
ETA15 1,5 5,3 1,0 3,4 25
ETA22 2,2 5,5 1,2 4,9 25
ETA35 3,5 5,8 1,5 7,8 25
ETA60 6,0 6,2 2,0 14,4 30
ETA100 10,0 6,7 2,5 23,2 30
ETA140 14,0 7,1 3,0 34,1 30

ETA's
Desenho Técnico
Componentes:
  1. Tratamento Preliminar com Filtros Bag;
  2. Tanque de Equalização;
  3. Elevatória e Bombeamento;
  4. Floco-Decantador;
  5. Tanque Clorador;
  6. Sistema Dosagem de Cal, Coagulante e Cloro;
  7. Sistema Descarte de Lodo.


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